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Fóssil de 236 milhões de anos pode reescrever história de mamíferos

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Cientistas descobriram o fóssil de um ancestral dos mamíferos que dava à luz filhotes há 236 milhões de anos, no noroeste da Argentina. O achado, publicado na revista Frontiers in Mammal Science nesta quinta-feira (13/8), pode ajudar a reescrever a história dos animais a partir desse ancestral.

Segundo o novo estudo, o fóssil encontrado é de um cinodonte, o qual demonstrou uma linha de crescimento neonatal e um tamanho notavelmente grande, algo próximo às características observadas em mamíferos da modernidade.

 

“MOSTRAMOS PELA PRIMEIRA VEZ QUE O PARTO DE FILHOTES VIVOS ESTAVA PRESENTE EM PELO MENOS UM ANCESTRAL MAMÍFERO, O CHINIQUODON THEOTONICUS, QUE VIVEU HÁ APROXIMADAMENTE 236 MILHÕES DE ANOS. ISSO IMPLICA QUE A VIVIPARIDADE ENTRE OS PRIMEIROS CINODONTES SE ORIGINOU NA LINHAGEM DOS MAMÍFEROS PELO MENOS 90 A 95 MILHÕES DE ANOS ANTES DO QUE SE PENSAVA ANTERIORMENTE”, EXPLICA O AUTOR PRINCIPAL DO ESTUDO, LEANDRO GAETANO, PALEONTÓLOGO DO CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS CIENTÍFICAS E TÉCNICAS (CONICET) DA ARGENTINA.

 

Como foi feita a investigação do fóssil

Durante um curso de pós-graduação, pesquisadores detectaram uma marca microscópica incomum do crescimento de um fóssil adulto de C. theotonicus. Assim, eles compararam as amostras fossilizadas com animais vivos e identificaram uma característica típica de linha neonatal — marca microscópica e estrutural dos tecidos de mamíferos.

Então, para confirmar se a investigação estava correta, os pesquisadores calcularam a massa corporal do fóssil recém-nascido, acompanhando a evolução até a fase adulta. Depois, eles compararam com dados de diversas espécies de mamíferos vivos.

“OS CINODONTES SE DESENVOLVERAM NO TRIÁSSICO, UM PERÍODO DE RECUPERAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS APÓS UMA DAS EXTINÇÕES EM MASSA MAIS DEVASTADORAS DA HISTÓRIA DA VIDA”, RELATA OUTRA AUTORA PRINCIPAL DO ESTUDO, ADRIANA MANCUSO, PESQUISADORA DO CONICET.

 

Ela acrescenta que, com a alta competição por recursos e a pressão predatória, combinadas à tendência, à aridez e à forte sazonalidade, os embriões de espécies vivíparas (os que se desenvolvem dentro do corpo da mãe) poderiam estar mais protegidos do que os de espécies ovíparas (cujos embriões se desenvolvem em ovos).

O estudo indica que os ossos fossilizados de C. theotonicus mostravam que o animal pesava cerca de 1,7 kg ao nascer e 12 kg ao morrer: uma massa neonatal de aproximadamente 14% do peso adulto.

Proporções como essas são significativamente superiores às observadas em répteis (0,1% a 0,6%) e aves (1,3% a 4,5%), nas quais os recém-nascidos são proporcionalmente muito menores.

Além disso, esse padrão também se aproxima de mamíferos placentários modernos, cujos filhotes podem atingir até 18,77% do peso dos adultos, similar ao do antílope duiker-baía.

Os pesquisadores ressaltam que a descoberta revela a presença do modelo de reprodução por viviparidade muito antes do surgimento dos mamíferos verdadeiros.

Metrópoles

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