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CELINA MODESTO
Em 24 dias, choveu 203,7 mm em João Pessoa, valor 146,31% maior do que a média histórica de janeiro, que é de 82,7 mm, e das 9h da última segunda-feira até às 9h de ontem, foi registrado um índice pluviométrico de 118,2 mm, número 42,93% superior à média mensal. A informação é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a previsão do órgão para hoje é de que o tempo continue nublado, mas a intensidade das chuvas deve diminuir substancialmente. Ontem, a Defesa Civil de João Pessoa identificou pontos de alagamentos nas comunidades do Riacho da Bomba, São José, Porto do Capim, Bairro dos Novaes e Esplanada e recebeu 25 chamadas de ocorrências. Quarenta famílias da comunidade do Timbó, nos Bancários, podem ser retiradas antes do prazo previsto pela Defesa Civil.
Na manhã de ontem, uma equipe com integrantes da Defesa Civil, Autarquia Municipal Especial de Limpeza Urbana (Emlur) e das secretarias de Desenvolvimento Social (Sedes), Infraestrutura (Seinfra) e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) de João Pessoa identificou a necessidade de retirar oito famílias que tiveram as casas inundadas pela chuva na comunidade do Riacho da Bomba, localizada no bairro Padre Zé. O coordenador da Defesa Civil, Noé Estrela, disse que metade das famílias não queria sair das casas. “Quatro famílias ofereceram resistência e, então, nossa equipe tentou conscientizá-las de que era preciso sair do local, pois se trata de uma área de risco. As famílias que concordaram em ir para um abrigo provisório foram alojadas na Escola Estadual Maria Quitéria, que fica no bairro Jardim Treze de Maio”, afirmou.
O assessor técnico da Defesa Civil, Alberto Sabino, explicou que o órgão monitora 31 áreas de risco de alagamento ou deslizamento na Capital. “As áreas que são mais preocupantes são a Saturnino de Brito, São José, Timbó, Tito Silva, Maria de Nazaré, Santa Clara, São Rafael e Chatuba. Na comunidade do Timbó, a desocupação das casas pode ser antecipada dependendo das chuvas ou se houver alguma ocorrência”, afirmou. O coordenador da Defesa Civil ainda disse que, inicialmente, o relatório apontava que 20 famílias estavam em área de risco no Timbó. “Mas ficou decidido que aproximadamente 40 famílias sejam realocadas. Estamos agilizando o processo e, à medida que conseguirmos outros locais, deslocaremos as famílias”, declarou.
Famílias saem de casa
A família da dona de casa Maria de Lourdes foi uma das que tiveram de deixar a casa, na comunidade do Riacho da Bomba, na comunidade Padre Zé, por causa do alagamento provocado pela forte chuva de ontem. “Desde uma hora da manhã que a minha casa começou a ser invadida pela água e eu tive de desligar a chave de energia para não dar choque. Aqui sempre alaga e já entrou bichos como cobra, rato e caranguejo. Só vou para o abrigo porque tenho cinco filhos, inclusive um bebê, e não quero que eles tenham alguma doença ou que a casa caia por cima deles”, relatou. Já o aposentado José Maria do Nascimento mora à beira do Rio Jaguaribe, no bairro São José, e sempre se preocupa quando chove. “Eu moro só e sou um homem doente. Meus móveis ficam em cima de tijolos porque já perdi um guarda-roupa por causa das chuvas. Sempre temo quando começa a chover por causa do rio, que sobe e alaga tudo. Todos aqui esperam por alguma ação da prefeitura para tirar a gente daqui”, contou.
A superintendência de Transportes e Trânsito de João Pessoa (STTrans) identificou 11 pontos onde o alagamento deixou o trânsito lento, dentre eles o cruzamento da Avenida Dom Pedro II com a Avenida Coremas, a ladeira no sentido Valentina/Mangabeira e a Avenida Epitácio Pessoa, próximo ao Colégio Lourdinas.
Árvore cai
Na noite da última segunda-feira (23), uma árvore caiu nas proximidades da Policlínica São Luiz, em Jaguaribe, e deixou 5.114 casas sem energia das 23h59 às 2h54 de ontem. Já na manhã de ontem, uma árvore caiu na Rua Caetano Filgueiras, na Torre, deixando 15 casas sem energia elétrica das 9h às 11h.
Previsão
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que as chuvas na Capital diminuam até o final desta semana. “A partir de hoje, a chuva vai perder a atividade e, nos próximos dias, o sol pode voltar a brilhar. Entretanto, as chuvas vão continuar, só que com menos intensidade. O vórtice ciclônico contribui para a chuva em pontos do Nordeste como João Pessoa, Recife e Sergipe. A temperatura do oceano também contribui para o aumento da nebulosidade”, afirmou o chefe da seção de Previsão do Tempo do Inmet, Ednaldo Correia de Araújo. A previsão para hoje é de chuva fraca e tempo nublado em todo o Estado, com temperatura mínima de 19ºC e máxima de 34ºC. Em João Pessoa, a temperatura mínima é de 24ºC e a máxima de 28ºC.
CG registra índice de 50%
FERNANDA MOURA
Campina Grande – De acordo com a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), já choveu, em janeiro, em Campina Grande, 50% acima da média climatológica para o mês. O órgão registrou ao todo, do dia 1º até ontem, 60 mm de precipitação na cidade. Já a temperatura continuou alta no Sertão, atingido máxima de 35º, embora tenha atingido mínima de 19º em Campina, durante a madrugada de ontem. A Defesa Civil (DC) do município está desenvolvendo um plano de ações preventivas para evitar a ocorrência de desastres naturais, em função das chuvas de verão. Entretanto, de acordo com coordenador da DC em Campina Grande, Ruiter Sansão, nenhuma ocorrência grave foi registrada, entre sábado e a manhã de ontem.
A principal reclamação dos moradores é em relação aos bueiros, que facilitam a formação de poças d’água, que podem esconder obstáculos e provocar quedas e acidentes de trânsito, mas que, segundo Ruiter, não podem ser considerados pontos de alagamento. “Não houve necessidade de realocar nenhuma família, mas houve entupimento de canais e galerias. Falamos em pontos de alagamento quando há a obstrução da passagem de carros e pedestres e as famílias ficam ilhadas em suas residências. Mas poças de água foram constantes e causaram transtornos domésticos, especialmente nos bairros Catolé, Rosa Cruz, Novo Cruzeiro, Distrito dos Mecânicos”, disse Ruiter. Ele esclareceu que a Defesa Civil está vistoriando constantemente as áreas de risco solicitando a atuação dos órgãos responsáveis.
JC

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