Uma influenciadora digital foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira (14/10), após investigadores identificarem em seu perfil publicações com links que direcionavam seguidores a uma plataforma ilegal de apostas. Uma das empresas divulgadas pela influenciadora movimentou mais de R$ 102 milhões em menos de dois meses.
A investigação teve início após a Polícia Civil receber uma denúncia de que uma facção criminosa estaria envolvida na divulgação de sites de apostas on-line e em possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, os links divulgados pela influenciadora direcionavam os usuários a um site no qual os pagamentos via Pix tinham como destinatárias duas empresas que não constavam na lista oficial de autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operar apostas de quota fixa.
A investigação apontou que uma das empresas divulgadas pela influenciadora movimentou mais de R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026, considerando os créditos e débitos realizados no período. Para a polícia, a movimentação apresentou características suspeitas, como o recebimento e o repasse de valores em sequência e transferências associadas a jogos e apostas on-line.
A análise também identificou indícios de que as empresas investigadas atuariam como canais de recebimento dos recursos provenientes das apostas. Diante disso, a Polícia Civil representou pela adoção de medidas para interromper as atividades suspeitas e preservar valores que possam estar relacionados às infrações apuradas.
Batizada de Operação Aposta Final, a ação policial cumpre 19 ordens judiciais, deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
Entre as medidas autorizadas estão três mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços vinculados à influenciadora e ao marido dela, quatro buscas e apreensões de veículos e o bloqueio de ativos financeiros até o limite global de R$ 102,4 milhões, em contas dos investigados.
Também foram determinadas a suspensão cautelar das atividades econômicas e financeiras de duas empresas, a quebra de sigilo de dados telemáticos, a exclusão de perfis em redes sociais e o bloqueio de um site utilizado para divulgação de apostas.
Os crimes investigados são de exploração e divulgação de jogos de azar sem autorização legal e de lavagem de dinheiro.
Além do bloqueio de ativos financeiros no limite de R$ 102,4 milhões, a Justiça autorizou a apreensão de quatro veículos, sendo duas caminhonetes Toyota Hilux, uma Volkswagen Saveiro e um Volkswagen Nivus GTS.
Proibida de divulgar
A influenciadora foi proibida de criar, acessar ou utilizar redes sociais e plataformas digitais para divulgar ou promover jogos, apostas ou atividades relacionadas. Com o objetivo de impedir a continuidade das atividades investigadas, foi determinada a suspensão cautelar das atividades econômicas e financeiras das duas empresas investigadas.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos investigados e em estabelecimentos comerciais vinculados a eles, incluindo um salão de beleza e um açougue, em Várzea Grande e Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, as medidas buscam apreender documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos, a identificação de transações e a apuração de possíveis vínculos com outros participantes.
As investigações continuam para esclarecer a estrutura de funcionamento do esquema, identificar os responsáveis pela operação da plataforma e rastrear os recursos movimentados.
Aposta Final
O nome da operação faz referência ao objetivo de encerrar as atividades investigadas relacionadas à divulgação e à exploração de jogos de azar on-line, com foco na interrupção do fluxo financeiro suspeito e na responsabilização dos envolvidos. A operação busca desarticular a estrutura utilizada para promover as apostas e movimentar recursos, além de impedir a continuidade das atividades sob investigação.
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