sexta-feira, março 1, 2024
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Num Brasileiro de exceção, a única normalidade é o Palmeiras campeão

Do melhor primeiro turno da história ao derretimento do Botafogo no returno, passando pela pontuação baixa do campeão ou pelas reviravoltas nos dois extremos da tabela, o Campeonato Brasileiro de 2023 teve contornos atípicos. Talvez o único traço de normalidade tenha sido o Palmeiras campeão.

É até curioso que um torneio capaz de entregar tanta imprevisibilidade na reta final, a ponto de em dado momento ter seis candidatos reais ao título, não consagre um campeão que será lembrado pelo grande futebol jogado ao longo de toda a temporada. Mas este Palmeiras tem outra marca, talvez ainda mais relevante: o conjunto da obra deste time é o que será lembrado. O 12º título brasileiro da história do clube ajuda a demarcar uma nova era gloriosa da história do clube, difícil de repetir por qualquer clube do país, um período de cinco anos em que o Palmeiras venceu duas Libertadores, três Brasileiros, uma Copa do Brasil, três Paulistas…

Este não é, claramente, o melhor Palmeiras da era Abel Ferreira. Até outubro, pouco depois da eliminação da Libertadores, o ano fora marcado por mais discussões sobre a escassez do elenco e seus reflexos em campo do que sobre as virtudes da equipe. Também é fato que, uma vez iniciado o processo de desidratação do então líder Botafogo, ficou claro que este era um Brasileirão que exigiria pouco do campeão. Os 70 pontos alviverdes representam a segunda menor pontuação de um campeão na história dos pontos corridos em 38 rodadas.

No entanto, por mais paradoxal que pareça, são exatamente os problemas do elenco que tornam este, talvez, o mais notável trabalho de Abel. É verdade que o tempo de clube, o conhecimento profundo do elenco, foram aliados do português. Deram a ele mais ferramentas para achar uma nova forma de jogar na reta final. Mas o fato é que, durante todo o ano, ele fora obrigado a administrar o insano calendário brasileiro com um elenco curto, após saídas não repostas de jogadores, lesões importantes como a de Dudu e um punhado de jovens transformados em opções imediatas aos titulares. Em muitos momentos, pareceu improvável que a taça viesse no campeonato que mais costuma exigir fôlego, recursos. Ganhar o Brasileiro parecia tarefa dura para um elenco curto. E o Palmeiras de Abel ganhou.

Não é apenas por isso que este título será lembrado. É fato que o time de 2023 talvez não deixe a marca de atuações brilhantes durante todo o ano. Mas, certamente, este é um elenco que será lembrado pela capacidade de ganhar de novo. E de novo.

Este também é o campeonato de Endrick, que terá algo que outros jovens de sua geração não tiveram tempo de conquistar: um Brasileirão para chamar de seu. O futebol brasileiro atual vê seus jovens emigrarem cada vez mais cedo, as relações de pertencimento são cultivadas à distância: há uma espécie de fidelidade de cada torcedor pelos prodígios revelados por seu clube e vendidos às principais potências da Europa. Não será diferente com Endrick, que vestirá a camisa do Real Madrid a partir de junho. Mas o palmeirense não irá celebrar apenas os títulos do atacante na Espanha. Terá uma taça erguida por ele, ainda com a camisa verde, para recordar.

No campeonato que teve mais drama do que um time de brilho permanente, duradouro, foi campeão quem se habituou a ganhar, quem agarrou a chance quando ela se apresentou. Mais do que o futebol de 2023, o que há de realmente impressionante neste Palmeiras é a capacidade de se apresentar, ano após ano, como um time obcecado por vencer.

Globo Esporte

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