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“O amor de uma filha nunca acaba”: réplica do promotor emociona jurados em momento decisivo no Júri de Ingá

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No Tribunal do Júri, há momentos em que a força de uma argumentação não está apenas nos códigos, nas provas ou nos autos. Está também na capacidade de fazer os jurados compreenderem, para além dos fatos, a dimensão humana de uma história.

Foi o que aconteceu durante a réplica do Ministério Público no julgamento de Cláudio Félix da Silva, condenado a 36 anos de prisão pela morte da própria irmã, Luzinete Félix da Silva.

Naquele momento, o promotor de Justiça José Antonio Neves Neto escolheu uma estratégia diferente para encerrar sua manifestação. Em vez de concluir apenas com argumentos jurídicos, levou ao plenário uma publicação feita nas redes sociais pela filha da vítima, escrita no primeiro Dia das Mães vivido sem a presença da mãe.

O texto falava de saudade, lembranças, gratidão e da dificuldade de aceitar a ausência. Uma mensagem íntima, publicada originalmente nas redes sociais, que ganhou outro significado quando foi apresentada diante do Conselho de Sentença.

A leitura provocou silêncio e emoção no plenário. Jurados chegaram às lágrimas diante das palavras da filha, em uma das passagens mais marcantes de toda a sessão.

A iniciativa de José Antonio Neves Neto integrou a estratégia da acusação para mostrar aos jurados não apenas o crime em julgamento, mas também as marcas deixadas pela morte de Luzinete sobre aqueles que ficaram.

Ao final dos debates, o Conselho de Sentença acolheu as teses apresentadas pela acusação e reconheceu, entre as qualificadoras, o feminicídio, além de outras circunstâncias previstas no processo.

A sentença estabeleceu 36 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado.

No fim, ficou uma imagem difícil de esquecer: no lugar onde normalmente prevalecem a técnica, as provas e os argumentos, uma simples postagem escrita por uma filha sobre a ausência da mãe encontrou os jurados e trouxe para o centro do julgamento aquilo que nenhum processo consegue traduzir por completo — a dimensão humana de uma perda.

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