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Uma pesquisa da Universidade Macquarie, em Sidney, revelou que o aquecimento global pode ter um efeito sobre a capacidade cognitiva do principal predador dos mares, os tubarões. Tubarões gerados em águas até três graus celsius mais quentes – previsão de aumento da temperatura até o final deste século – desenvolveram a lateralização: a tendência de utilizar um lado do cérebro predominantemente, como nos seres humanos e outros animais. Ela faz com que o animal desenvolva certas habilidades “automaticamente”, e possa reservar uma maior capacidade cognitiva para outras tarefas – como a caça, por exemplo.

“A lateralização pode fazer com que os tubarões processem informação de maneira mais eficiente, ainda que seus cérebros sejam pequenos ou não tão desenvolvidos”, explicou Catarina Vila Pouca, ecologista comportamental e cientista que liderou o estudo, em entrevista à revista Scientific American.

Ela explica que os embriões de tubarões levam até 10 meses para se desenvolver, tornando-os vulneráveis a altas na temperatura da água e outras mudanças no ambiente. Condições mais quentes aceleram o metabolismo, fazendo os embriões queimarem suas reservas de energia e chocarem mais rápido. Para contra-balancear essa perda de energia, o desenvolvimento de alguns tecidos e partes do corpo podem ser comprometidos.

“O tecido cerebral tem um alto custo metabólico, então se os embriões não conseguem desenvolvê-los propriamente, essa é a primeira parte que será afetada”, explica a pesquisadora. Ela acredita que, para lidar com esse “atraso” causado pelo calor, os cérebros dos embriões começam a se tornar mais fortemente lateralizados. Assim, algumas tarefas que exigem capacidade cognitiva passam a ficar automatizadas. Segundo ela, isso permite que os tubarões possam vigiar melhor possíveis ameaças ou aprender mais sobre seus ambientes durante uma caçada, por exemplo.

Em grande escala, esses efeitos podem ser altamente prejudiciais para cadeias ecológicas do meio-ambiente marinho. Além disso, o o aquecimento da água dos oceanos ainda tem inúmeros outros efeitos ainda não estudados ou plenamente compreendidos sobre as espécies marinhas. Segundo a Scientific American, a temperatura média das águas dos oceanos tem uma projeção de elevar-se de um a três graus celsius até o final deste século.

Paraíbaurgente

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