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Segundo donos, cão nunca tinha apresentado comportamento violento. Criança não sofreu ferimentos.

Três dias após uma criança de 7 anos escapar de um ataque do pitbull da família, no Distrito Federal, os pais do menino afirmam que querem “esquecer” a situação.

O caso ocorreu na noite da última sexta-feira (12), na Estrutural. Segundo os donos, o cachorro, de 1 ano e meio, começou a apresentar comportamento agressivo e tentou atacá-los.

O casal conseguiu sair da casa com um dos dois filhos. No entanto, a outra criança ficou presa no local com o pitbull. A situação só foi resolvida depois que a Polícia Militar chegou à casa e sacrificou o animal.

Nesta segunda (15), a família envolvida no caso, que não quis se identificar, contou ao G1 os momentos de agonia vividos.

“Entre o cachorro e o meu filho, eu escolhi meu filho, como qualquer mãe faria. Ele estava chorando dentro de casa, e nós já estávamos desesperados com toda a situação”, conta a mãe do garoto.

Horas de desespero

Segundo a mulher, o cachorro nunca tinha apresentado comportamento agressivo. No entanto, sofreu três episódios de convulsão durante a tarde de sexta. No último, ele teria passado a ter comportamento muito violento, tentando morder o filho do casal.

Nesse momento, a mãe afirma que estava no portão com o filho menor, de 4 meses de idade. A mulher conta que, quando viu que o cachorro iria atacar o menino mais velho, gritou para que ele entrasse na casa e fechasse a porta para se proteger.

“Eu falei para ele ficar lá dentro enquanto eu pedia ajuda. Deixei meu bebê com a vizinha, e fui procurar a polícia, enquanto outro vizinho tentava acalmar o cachorro”, afirma a mãe.

O pai, que não estava em casa no momento, chamou a Polícia Militar. No entanto, ele afirma ter sido informado de que os PMs não resolviam esse tipo de problema e que a família deveria tentar acalmar o animal de estimação.

Tranquilizante

Após algumas tentativas, o casal afirma que um representante da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival) foi ao local. Enquanto o garoto esperava dentro de casa, os pais, vizinhos e profissionais envolvidos tentavam agir do outro lado do portão.

Homem teve que fazer remendo em moto após ataque de pitbull no DF — Foto: Brenda Ortiz/ G1 DF

Homem teve que fazer remendo em moto após ataque de pitbull no DF — Foto: Brenda Ortiz/ G1 DF

Segundo os pais, durante as três horas em que o filho mais velho ficou no local, o pitbull ainda apresentava comportamento violento e chegou a destruir o estofamento da moto da família.

O funcionário da Vigilância Ambiental levou um tranquilizante, que deveria ser aplicado diretamente no animal. No entanto, não conseguiu se aproximar do cachorro para realizar a tarefa e aconselhou os pais a sacrificarem o pitbull para salvar a criança.

Atuação da polícia

Após algum tempo, a Polícia Militar também chegou ao local. Segundo o comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), major Souza Júnior, antes de decidir atirar no animal, os policiais tentaram por 2h30 imobilizar o pitbull.

“Tentamos conter o animal até com cordas, mas nenhuma das nossas investidas apresentou resultado. O tiro seria a nossa última alternativa. Mas, no momento, em que o cão começou a forçar a porta da residência, tivemos que tomar aquela decisão”, contou o PM.

Major Souza Júnior, do Batalhão de Polícia Ambiental do Distrito Federal — Foto: TV Globo/Reprodução

Major Souza Júnior, do Batalhão de Polícia Ambiental do Distrito Federal — Foto: TV Globo/Reprodução

O major disse ainda que, ao saber do caso, ligou para o Zoológico e outros órgãos do DF para tentar fazer uma contenção química do animal. No entanto, segundo ele, não houve reposta.

“Os donos do cão afirmaram para a gente que ele estava irreconhecível. A porta da casa não estava trancada e tinha uma criança de 7 anos lá.”

Após ter a concordância do casal, os policiais sacrificaram o cachorro com um tiro. Os pais então puderam entrar em casa e acalmar a criança, que não chegou a sofrer nenhum ferimento.

“Foi um momento horrível. A gente só quer esquecer tudo o que aconteceu e continuar a nossa vida. Graças a Deus nosso filho está bem, e mesmo chorando muito no dia, agora está brincando e feliz. Nós é que ainda estamos assustados”, conta o pai.

O que diz um especialista

No entendimento do médico veterinário e professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) Bruno Alvarenga dos Santos, a polícia fez o que estava ao alcance da corporação naquele momento.

“Claro que o ideal era que fosse possível ter um veterinário para fazer uma contenção química no cão e depois disso submetê-lo a exames para investigar o ocorrido e tratar o animal. Mas em uma situação anormal e com o perigo de haver vítimas, a polícia agiu como podia”, afirma Bruno.

G1

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