AFINAL, O BANCO DO BRASIL É VÍTIMA OU CULPADO?

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BANCO DO BRASIL: VÍTIMA OU CULPADO?

A grande maioria das falas na audiência pública na noite desta sexta-feira (24) foi no sentido de criticar o Banco do Brasil por “n” motivos: juros altos, mal atendimento, lucros exorbitantes, falta de comprometimento com o povo e até sucateamento intencional/capitalista/privatista. Algumas críticas justas outras injustas, e algumas descabidamente política/partidária. Mas, o que isso tem a ver com tiros na madrugada, armas pesadas, reféns, dinamites e explosões aterrorizantes? Nada, absolutamente nada. 

ALIADO POLÍTICO TAMBÉM PODE CRITICAR E COBRAR MAIS SEGURANÇA

Havia um certo consenso surdo/mudo no ar, um medo de tocar no tema diretamente ligado ao problema da situação precária do Banco do Brasil de Ingá e de grande parte das cidades do interior da Paraíba e do nordeste. Parece que a palavra estava proibida de ser pronunciada: I N S E G U R A N Ç A   P Ú B L I C A.

Não adianta tentar tapar o sol com a peneira, o principal motivo pelo qual a agência do Banco do Brasil de Ingá está praticamente fechada com consequências danosas para toda região, inclusive para comerciantes e população, foram as três violentas explosões, ou seja a ação de bandidos que estão agindo com cada vez mais ousadia atingindo agencias instaladas nas ruas, órgãos públicos e dentro de empresas privadas.

NOVA MODALIDADE 

Verifica-se que atualmente, não tendo mais o que explodir nas pequenas cidades, os bandidos estão invadindo lojas comerciais dando ré em caminhonetes durante as madrugadas, destruindo vitrines e levando tudo. Recentemente funcionários dos correios fizeram um protesto em Campina Grande, em razão de que os veículos que fazem entregas de mercadorias compradas pela internet foram assaltados 19 vezes em menos de um ano nos bairros de Campina.

BRADESCO FECHOU PEQUENAS AGÊNCIAS EM ITATUBA E SERRA REDONDA TAMBÉM PELO MESMO MOTIVO: EXPLOSÕES

Bradesco de Itatuba

O Banco do Brasil e outros bancos da rede privada são tão vítimas quanto nós que estamos assustados com tantos assaltos a mão armada e corremos riscos todos os dias. Portanto, é louvável que a classe política se “una” para criticar e lutar para que a Agência do Banco do Brasil retome suas atividades normais, mas devem também ter a coragem de reivindicar do governo do estado que ofereça condições de segurança pública para que o banco possa permanecer, porque senão, em breve tudo irá pelos ares novamente, inclusive a nova agência do Bradesco que foi explodida tantas vezes em Itatuba e Serra Redonda até fechar de vez e virar só um posto de atendimento sem dinheiro, igualzinho se encontra atualmente o Banco do Brasil de Ingá. 

CORTINA DE FUMAÇA 

Erram aqueles que pensam ou tentam transmitir ao povo que é apenas uma questão de concorrência entre redes bancárias, tentando desviar o foco do real problema que é a falta de segurança pública. Converse com as pessoas que moram vizinhas à futura agencia do Bradesco localizada na rua João Pessoa, no centro de Ingá. Elas estão simplesmente em pânico com essa possibilidade. Assim como o proprietário do imóvel onde funcionava os Correios de Ingá, que pediu o prédio ao “indesejado” inquilino, não por inadimplência, mas por medo de explosões e por não conseguir alugar o andar de cima a ninguém.  

A SEGURANÇA PÚBLICA DEVE SER PARA TODOS

O fato de que os bancos mexem com grande quantidade de dinheiro e têm lucros altos, não são motivos de desculpas para que não tenham direito à segurança pública como qualquer negócio, empresa ou cidadão comum. Afinal de contas, dentro dos bancos trabalham pessoas, seres humanos que têm famílias, pagam impostos e tem direito sim a um ambiente interno e externo com um mínimo de segurança para trabalhar e viver.  

O governo do estado e governo federal têm a obrigação sim de oferecer segurança ao cidadão, aos comerciantes e também aos bancos, afinal um banco é uma empresa como outra qualquer que precisa ter lucros para pagar funcionários, estrutura, logística, transporte de valores, segurança interna, e ser um dos propulsores do desenvolvimento do país e consequentemente de nossa região. 

UMA LUTA DESIGUAL

Sabemos do esforço da Polícia Militar no trabalho ostensivo, bem como o importante trabalho de inteligência dos delegados e agentes civis, que tem desbaratado gangues e quadrilhas especializadas em roubos a bancos como ocorreu recentemente na fronteira com o Rio Grande do Norte, inclusive com a prisão de suspeitos de integrantes do bando que assaltou a agência de Ingá. Mas, infelizmente a luta tem sido desigual, mesmo havendo investimento da gestão Ricardo Coutinho em viaturas novas, motos e logística, parece ser tardio e ainda estamos perdendo a guerra.

PROBLEMA NACIONAL

É lógico que este quadro não é só da Paraíba, mas fica evidente que o contingente de polícias é muito inferior ao que seria ideal,  e embora a gestão estadual tenha alcançado melhoria nos índices de homicídios, no que tange a roubos, furtos e assaltos a bancos com explosão têm aumentado consideravelmente, elevando sensivelmente a percepção de insegurança à população que está acuada e assustada. Situação esta agravada por leis brandas, frouxas além de um sistema prisional que não recupera ninguém. Lembrando que as leis são feitas pelos políticos legisladores, a justiça apenas as aplica. 

Vale salientar que a questão da insegurança não é um problema apenas desta gestão, vem de longe, de governos anteriores passando por Cássio e Maranhão. Mas, nem por isso devemos nos acomodar e por conta de circunstâncias políticas/partidárias pensar que os assaltos e explosões a bancos é problema dos bancos. Não é, é um problema de todos nós.    

Inga Cidadão 

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