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Interpol oferece apoio à busca por crianças desaparecidas há oito meses no Maranhão

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A Interpol ofereceu apoio às buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal colocou à disposição da família ferramentas de cooperação internacional que poderão ser usadas para localizar as crianças e, caso elas sejam encontradas em outro país, auxiliar em sua repatriação.

A entrada da Interpol no caso, porém, não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados ou que exista alguma indicação de que estejam fora do Brasil. Segundo a advogada da família, Nathaly Moraes, o contato com a Polícia Federal ocorreu nesta semana e representa um novo recurso para a continuidade das buscas.

— Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio — disse ao g1.

De acordo com Nathaly, as ferramentas podem ser utilizadas em 197 países e incluem mecanismos de localização e de repatriação.

— Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado.

Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Allan, deve se reunir com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, em São Luís. O encontro servirá para esclarecer como os recursos oferecidos pela Interpol poderão ser empregados no caso.

A advogada afirma que já havia procurado anteriormente a Polícia Federal para pedir que a investigação fosse transferida da Polícia Civil para a instituição. Na ocasião, segundo Nathaly, ela levantou a possibilidade de as crianças terem sido vítimas de tráfico humano.

— Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles.

Agora, de acordo com informações passadas por Nathaly ao g1, o Núcleo de Cooperação Internacional passou a oferecer as ferramentas da Interpol para auxiliar nas buscas.

— Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperações Internacionais entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar, porque até então nós não tínhamos apoio da Interpol, de maneira nenhuma.

Caso não indica que crianças estejam nos EUA

 

A atuação da Interpol também não está relacionada a uma confirmação de que Ágatha e Allan estejam nos Estados Unidos. As crianças não foram encontradas e não há indicação de que estejam entre as 163 crianças resgatadas recentemente em uma operação no país.

Segundo Nathaly, o Consulado Brasileiro mantém contato com autoridades americanas e acompanha a situação.

— Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas.

Crianças desapareceram em janeiro

 

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Os dois estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.

Em janeiro, o então secretário da Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que Kauã havia reconhecido uma casa abandonada, conhecida como “casa caída”, onde as três crianças teriam passado pelo menos uma noite. Cães farejadores também haviam indicado a presença delas nas proximidades.

Segundo Martins, Kauã negou a presença de terceiros durante a caminhada que levou as crianças à mata. Naquele momento, as autoridades afirmaram que nenhuma linha de investigação seria descartada.

Durante as buscas iniciais, as equipes ampliaram a área de procura para além dos limites estabelecidos. Também foram realizadas buscas subaquáticas em rios e lagos, além do uso de helicópteros e drones.

Participaram da força-tarefa a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Força Estadual Integrada de Segurança Pública, o Exército Brasileiro e o Batalhão Ambiental do Maranhão. Também foi oferecida uma recompensa por informações corretas que levassem à localização das crianças.

O desaparecimento de Ágatha e Allan completou oito meses em 4 de setembro de 2026, e nenhuma informação concreta sobre o paradeiro das crianças havia sido divulgada até então. Cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas ao longo do período.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que os trabalhos continuam, mas que os detalhes da investigação estão protegidos por segredo de Justiça.

Mãe diz que não perdeu a esperança

 

Clarice Cardoso afirma que continua esperando encontrar os filhos.

— Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar — disse ao g1.

O desaparecimento também mobilizou representantes do Congresso Nacional. A última visita de parlamentares à comunidade ocorreu em maio, quando integrantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil foram ao Maranhão para ouvir a mãe das crianças e autoridades responsáveis pela investigação.

A comissão tinha autorização para realizar diligências, vistorias técnicas e acompanhar denúncias graves no país.

Nos últimos meses circularam nas redes sociais informações falsas de que as crianças haviam sido encontradas ou de que seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. Também foram divulgados falsos relatos sobre confrontos e mortes de agentes públicos.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmou que informações sem confirmação podem prejudicar a investigação e aumentar o sofrimento da família. Informações que possam ajudar a localizar Ágatha e Allan podem ser comunicadas pelo 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar.

O Globo

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