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As águas mornas e o mar azul de João Pessoa têm atraído muito mais do que turistas. A capital paraibana tem virado o destino de figurões envolvidos com crimes que vão de fraudes no sistema financeiro, evasão de recursos púbicos, tráfico de drogas e, não raro, tudo ao mesmo tempo. O caso mais recente foi o de Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido por Ceará, delator da Lava Jato. Ele foi preso no apartamento de alto padrão, no badalado bairro de Tambaú. Ceará atuava na Lava Jato com o doleiro Alberto Youssef e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ceará é conhecido pela atuação como doleiro, mas, neste último caso, é investigado a conexão com o tráfico de drogas. E para puxar a linha por figurões ligados ao crime que tiveram a Paraíba como destino, não custa lembrar o mais famoso deles: Fernandinho Beira-Mar. O traficante tinha laços até com a polícia paraibana e manteve familiares por aqui mesmo após ser preso. O filho dele, Luan Medeiros da Costa, chegou a ser preso no Estado também em 2010. Foi pego após embarcar quatro quilos de cocaína em um ônibus que saiu de Campina Grande em direção à capital.

Presidente do TCE

Também em 2010, a Polícia Federal desencadeou uma operação para apurar os bens do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Julio de Miranda Coelho, mantidos na Paraíba. A suspeita era de desvio de recursos públicos. Foram apreendidos cinco automóveis de luxo em João Pessoa durante a ação. Entre os veículos estavam uma Ferrari, uma Masserati, duas Mercedes Benz e um Mini Cooper. Todos estavam dentro da garagem do presidente do TCE, que foi preso em João Pessoa, na Paraíba. Além dos veículos, duas armas também foram apreendidas pela PF.

Doleiro

O delegado da Polícia Federal, Roberto Biasoli, explicou que Ceará estava na Paraíba há pelo menos um ano. Daqui, ele reforça, não tinha dificuldades para coordenar operações criminosas com o uso de aplicativos de mensagens. “A questão de localidade geográfica para este tipo de atividade nem interessa tanto. Eles agem por todo o Brasil por aplicativos para se comunicar. Não posso dizer que foi aqui que ele cometeu tantos crimes. Ele escolheu João Pessoa para residir e viajava com muita frequência para Brasília”, ressaltou o delegado em entrevista ao repórter Hebert Araújo, da CBN João Pessoa.

Ainda na linha dos traficantes presos na Paraíba, não custa lembrar, em 2008, a prisão de Alexandre de Jesus Carlos. Sem ser reconhecido pelos vizinhos, ele comandava a venda de drogas no Rio de Janeiro a partir da cidade do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa. Em 2015, o Grupo de Operações Especiais (GOE) prendeu um outro traficante carioca em Campina Grande. O nome dele não foi revelado na época, mas o delegado Antenor Lopes Martins relatou, com base do depoimento do suspeito, disse que ele veio à Paraíba para conhecer as praias e o São João de Campina Grande.

 

Ceará

O delegado da PF Roberto Biasoli afirmou que as pessoas presas nesta terça-feira formam o “núcleo principal” da organização ligada ao Cabeça Branca. “Só pelo que nós conseguimos levantar com o material apreendido, do ano de 2014 a 2017, teriam sido negociadas 27 toneladas de cocaína, isso com um lucro de aproximadamente US$ 140 milhões”, disse o delegado. Biasoli explicou que quase todos os presos tinham acesso ao Cabeça Branca, e que o contato com ele era restrito. Os presos, segundo Biasoli, são doleiros e lavadores de dinheiro.

Conforme o delegado, Ceará e Cabeça Branca passaram a atuar juntos a partir de 2016. Antes, em 2013, Ceará já trabalhava para traficantes, ainda de acordo com o delegado. A estratégia da operação, conforme a PF, é baseda na ligação de interesses das atividades ilícitas dos “clientes dos doleiros” investigados. Biasoli citou que traficantes estão entre esses “clientes”.

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