Se ‘queda’ foi a renúncia, ‘coice’ é a falta de unidade

O grupo do governador Ricardo Coutinho (PSB) precisará se entender, e rápido, em relação à substituição do nome do prefeito Luciano Agra na disputa pela prefeitura da capital este ano, caso tenha a intenção de manter o controle sobre o mais importante município do Estado. É que, se a renúncia de Agra surgiu como uma ‘queda’ para o PSB e aliados de um cavalo que estava pronto para a disputa eleitoral, a falta de unidade e compreensão do momento histórico provocado por esta crise poderá resultar numa grave defecção ao projeto de poder do grupo político.
Diga-se de passagem que, com o atual prefeito, a situação já não seria tão confortável, como se mostrou a reeleição de Ricardo Coutinho na prefeitura da capital, em 2008. Com a saída de Luciano Agra do processo, contudo, o jogo mais que zera para o famoso ‘coletivo’, pois passa a exibir fraturas expostas na luta pelo poder dentro do grupo liderado pelo agora governador.
É evidente. À essa altura do processo pré-eleitoral, a oposição está em franca vantagem. Espreita os próximos passos do grupo ricardista, se comprazendo com a luta fraticida pela indicação da cabeça de chapa. Partido do prefeito, o PSB já mandou dizer aos aliados – notadamente ao PPS de Nonato Bandeira – que não abre mão da indicação, e ponto final. As legendas periféricas como o próprio PPS, PTB e PDT não entendem que é bem assim.
Adversário mais robusto na disputa, o senador Cícero Lucena (PSDB), assistindo a tudo de camarote, comemorou efusivamente o fato político da renúncia de Luciano Agra, mais pelos efeitos atordoantes que está provocando no atual grupo que detém o poder na capital, menos pela saída de um adversário que, de qualquer forma, para ele, mostrava-se como ideal.
A falta de unidade, coesão e sabedoria neste início de ano, num momento de crise que precisaria ser transformado em oportunidade, pode ser decisivo para as eleições de outubro. O lance no jogo depende agora de Ricardo Coutinho e sua capacidade de liderar sua tropa unida. Este será o ‘ás’ na manga de quem não pode se dar ao luxo de perder a jóia mais preciosa de seu projeto político. Marcos Alfredo.

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