Durante a entrevista coletiva de Ricardo Coutinho concedida nesta terça-feira (04), o governador descartou a privatização da estatal e teceu comentários sobre os custos para manter a Cagepa funcionando. RC falou que houve redução no número de comissionados, que passou de 400 para 90, com investimentos que somam R$ 316 milhões já pagos, feitos nos últimos seis anos, e que “pela primeira vez, a Cagepa foi superavitária com saldo de R$ 20 milhões”.
FLUTUANTES DISTANTES
Portanto, contradiz a informação recebida pelos vereadores ingaenses, quando da visita a área de captação que dista cerca de 3 km do paredão da Barragem de Acauã, de que a Cagepa não dispõe de recursos financeiros para investir na transferência dos flutuantes de captação para mais próximo da represa onde ainda tem água com certa abundância e que daria para abastecer a região até o final de dezembro, mesmo sem chuvas.
A Cagepa divulgou nota recentemente informando que, se não chover, o abastecimento deverá ser suspenso em definitivo em 30 dias.
SE TEM ÁGUA E TEM DINHEIRO, O QUE FALTA?
Ora, há de se considerar que Ingá, Itatuba e toda região está em situação de emergência hídrica e seria perfeitamente justificável que a estatal tirasse um pouco de seus 20 milhões de superávit informado pelo governador e investisse na melhoria das condições de captação d’água antes que o sistema entre em colapso definitivamente e prejudique as populações de três cidades e um distrito. Portanto, se tem água e tem dinheiro, o que falta? decisão política?
Cremos que será mais barato investir na transferência dos flutuantes do que gastar com carros-pipas para abastecer quatro cidades
QUEM LEMBRA DO VOLUME MORTO DO CANTAREIRA EM SÃO PAULO?
Vale aqui relembra do esforço e investimentos feitos pela também estatal SABESP do Estado de São Paulo quando investiu pesado na transferência dos flutuantes para o volume morto da represa do Cantareira durante a crise hídrica inédita naquele estado ocorrida no ano de 2014, que foi amplamente divulgado pela imprensa nacional. A Cagepa poderia fazer o mesmo aqui em Acauã, inclusive instalando mais uma caixa d’água no bairro do Cazuzinha em Ingá para atender a parte alta da cidade que fica desabastecida no vai e vem do racionamento, cuja fraca pressão impede a chegada da água com rapidez.
BURRO OU MENTIROSO
Um morador ribeirinho afirmou que quando da construção da adutora e instalação dos equipamentos de captação, achou estranho a distância do balde e perguntou a um dos engenheiros o porquê de tão longe. Recebeu como resposta de que ficasse tranquilo que o mesmo nível de água registrado próximo à barragem seria o daquele local, sempre, e nunca chegaria a secar. Hoje, o “matuto” tirou o chapéu, olhou para o braço do rio quase seco e relembrou seu pensamento à época e revelou: “das duas uma, o tal engenheiro ou é burro ou mentiroso”.
OS VEREADORES DE INGÁ FIZERAM SUA PARTE. É PRECISO MAIS EMPENHO DOS DEPUTADOS
Os políticos locais deveriam pressionar mais os deputados que foram votados em nossa região para lutaram por esta causa emergencial. Até o momento, apenas o deputado Bosco Carneiro se pronunciou sobre o tema na Assembleia Legislativa, a pedido dos vereadores da oposição local. Por outro lado, a situação representada pelo prefeito Manoel da Lenha e Robério tem buscado junto a direção da Cagepa uma solução. Porém, é preciso mais empenho de todos.
IMAGENS ATUAIS DA SITUAÇÃO
Confira nos vídeos abaixo, imagens captadas na última terça-feira (04 de abril) que mostram sobre o volume de água de Acauã próximo ao paredão, a necessária liberação de parte desta água para atender às populações ribeirinhas na criação de animais, atividades econômicas, uso doméstico, e a inexplicável longa distância dos flutuantes na área de captação que está secando.
Uma correção: A capacidade de armazenamento é em milhões de metros cúbicos e não bilhões como foi equivocadamente citado.
Ingá Cidadão



