COLUNA DE ROCHA: CIDADE LIMPA, POVO EDUCADO

Não faz muito tempo, pelo que contam os mais velhos, quando ainda não existiam as fossas sanitárias e os WC´s, as pessoas faziam suas necessidades fisiológicas ao redor de suas casas, no chamado “matinho”  e foi assim, até o surgimento do (pra época) revolucionário pinico, permitindo que tais necessidades fossem feitas dentro de casa e depois lançadas pela janela, nas ruas ou nos quintais. E o banho, essa higiene pessoal que fazemos pelo menos uma vez ao dia, era mensal e em menos tempo, somente se houvesse algum evento de grande importância. Com o avanço da ciência e da medicina, foi constatado que essas atitudes eram muito prejudiciais à saúde das pessoas e, campanhas de conscientização praticamente aboliram esses maus-costumes.

Em relação ao banho, recomenda-se uma atenção maior às partes íntimas, quase sempre cobertas e sujeitas à maior infestação de fungos e germes, sendo esses, os principais responsáveis diretos por doenças diversas e pela ocorrência de câncer, o que pode facilmente ser prevenido e evitado com água e sabão. Parece bobagem, mas a enorme incidência desse mal em comunidades mais carentes permite a dedução de que muita gente ainda considera ter tomado um banho completo, quando lavou o rosto, as pernas e os braços…

Quanto ao saneamento, ainda falta muito para que o povo e os próprios gestores possam ser considerados razoavelmente conscientes da sua importância. Estudos da OMS (Organização Mundial da Saúde) concluíram que, para cada U$ 1,00 gasto em saneamento, o poder público economiza U$ 5,00 com tratamentos de saúde e internações, ou seja: Além de as pessoas adoecerem menos e os governos não gastarem tanto, a produção aumenta e o país cresce, se as pessoas, ao invés de estarem acamadas, estiverem trabalhando, saudáveis.

Do jeito que vemos por todo o país, a enorme má vontade dos governos dos estados e municípios em aceitarem os recursos que o governo federal disponibiliza para essas ações, dá até pra desconfiarmos que a doença do povo muito lhes interessa.

A (boa) educação é outra área em que não se investe o mínimo necessário, já que a qualidade no ensino geraria mais cidadãos conscientes sobre a necessidade e os benefícios do saneamento, da higiene pessoal e porque também não lhes interessa em nada um povo consciente, exigente, revolucionário.

Ainda vemos por aí, pessoas capazes de pegar um saco ou um punhado de lixo e lançar nas ruas, sem nenhuma culpa, como se a rua fosse feita pra isso. Depois, vêm as doenças, as inundações e essas próprias pessoas apontam um dedo para algum “culpado”, enquanto três outros dedos seus apontam na sua própria direção.

Há lugares, inclusive muitos no Brasil, onde o simples ato de se jogar um papel de bala na rua acarreta multa de valor simbólico e carão de caráter vexatório e que, em pouco tempo depois de criadas leis nesse sentido, pra evitarem constrangimento, as pessoas, mais do que se educarem, tornam-se fiscais de limpeza, batem no peito orgulhosas do seu novo, bom e limpo costume…

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