Coluna de Rocha: Palavra de honra.

Na coluna de Rocha desta semana, Elvis disserta sobre o tema: Palavra de honra, costume extremamente valorizado na Índia e desprezado no Brasil. Faz ainda uma analogia com uma experiência própria vivida na infância.

E você, honra sua palavra?

Artigo muito bom.

Vale a pena ler, refletir, e se possível, comentar.

 

PALAVRA DE HONRA…

 

Na Índia, o ato de se assinar um papel para, através dele, garantir-se a realização de um negócio, o futuro recebimento de uma dívida ou qualquer outra coisa, é tido como uma ofensa grave, quase imperdoável por quem recebe a proposta, por que lá, mais do que qualquer coisa, vale a honra da palavra e a confiança que as pessoas gostam e sentem prazer em dar e receber. Por outro lado, quem não honra o que promete, não cumpre o que diz, torna-se “lixo social”, é excluído, desprezado, ignorado pelo restante do povo, inclusive, pela própria família.

O extremo-oposto disso encontramos no Brasil. Aqui, fazemos valer demais a expressão “falar é fácil” (a falácia). Boa parte das pessoas (E bota BOA PARTE nisso) não têm cuidado nenhum com elas mesmas; falam, prometem, se comprometem e, pra elas tanto faz como tanto fez se irão chegar na hora marcada, pagar no prazo combinado, concluir no prazo previsto. Esquecem que a PALAVRA é a porta de entrada no cadastro positivo da sociedade e que, uma vez perdida sua credibilidade, a tarefa de recuperá-la é praticamente IMPOSSÍVEL.

Entre políticos isso é lugar comum, natural, tornou-se “aceitável”, por que não tem jeito e  estranho mesmo é vermos um político cumprindo uma promessa, honrando a sua palavra. Mas, na sociedade, essa que tanto os critica, era de se esperar que as pessoas, antes de se comprometerem com o que quer que seja, pensassem cuidadosamente mil e duzentas vezes nas possibilidades de cumprir e, havendo alguma dúvida naquele momento, adiar a palavra definitiva para quando pudesse ter mais segurança para dizer “sim” ou “não”.

Quando eu estudava no segundo ano, não sei porquê, falei pra  professora que a dona da fazenda onde eu morava com meus pais, tinha uma plantação de rosas de diversas cores, inclusive roxa, ao que ela riu duvidando e afirmou que só acreditaria, vendo. Garanti que quando estivesse produzindo, levaria uma para ela ver e retirar a humilhação que me fez passar diante dos colegas. Em casa, comentei com minha mãe e ela foi enfática ao dizer que a brincadeira feita comigo na escola era o de menos e que a minha preocupação devia ser com minha  promessa e deveria levar a flor de qualquer jeito, pois “promessa é dívida!” e recomendou pra que eu nunca dissesse que faria algo que eu não pudesse fazer, pois isso era “muito feio”. Isso fez virar regra sem exceções na minha vida, o cumprimento da minha palavra, começando pelo episódio da rosa roxa, pela qual esperei ansiosamente durante meses, temendo que o ano letivo terminasse, sem que a roseira florescesse. Faltavam poucos dias pra isso acontecer, mas os botões vieram. Não daria tempo para que a flor abrisse naturalmente e eu levei um botão, o qual a professora abriu manualmente e pôde ver que a bendita rosa roxa realmente existia. Dessa vez ela prestou-me quase uma homenagem, dissertou sobre a importância da palavra proferida e disse que, como eu não toquei mais no assunto nem levei a rosa prometida, ela achava que eu estava me fazendo de esquecido, pra que ela também se esquecesse, mas que pretendia, na despedida das aulas, me dar outra lição de moral; eu seria apontado para os colegas como um exemplo a não ser seguido, mentiroso e irresponsável, porque, bastava uma pessoa ser falha nas pequenas coisas, para todos saberem que ela seria pior, nas grandes…

O fato é que todos erramos, todos falhamos, mas o erro proposital contra outra pessoa, seja por descuido ou por desconsideração é um erro dobrado, contra o outro e mais ainda, contra quem o comete, pois os sentimentos de respeito, amizade e consideração são como as rosas roxas: Só os colhe quem planta e só os mantém vivos, aqueles que os cultivam…

 

 

 

 

 

 

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