Pe. Zé: Prova de amor maior não há, que doar a vida pela Humanidade!

 

“A Semente plantada em um jardim, tornará realidade o Sonho de Deus, o seu   Reino para todos os homens

06 de abril   – Sexta Feira Santa

 

           O   Evangelho da Paixão João 18, 1- 19.42                             

    

Prova de amor maior não há do que dá a vida pela Humanidade!

 

                 O evangelho de hoje, contrapõe  tristeza e alegria, derrota  e glória, tragédia e pleno êxito. João conta os fatos olhando precisamente com os olhos de Deus. Podemos ilustrar a reflexão dizendo que João  se comporta como aquela mãe, que sentada em sua cadeira preferida faz paciente o seu bordado à mão. Nós homens somos como a criança, que olha por baixo e vendo o bordado as avessas não entende como a mãe se dedica a um trabalho que não tem nada de bonito.

                Que pode haver de belo nessa narrativa da paixão do Senhor, em uma ceia marcada por momentos de tensão, a traição de Judas, o anúncio da negação de Pedro, a prisão de Jesus no Horto das Oliveiras, as falsas testemunhas diante do Sumo Sacerdote, e finalmente a sua caminhada até Pilatos de onde saiu açoitado, massacrado, com a cruz aos ombros até o alto do morro onde iria ser pregado no madeiro, e padecer um a morte horrível, vergonhosa e humilhante? 

              A Cristologia, isto é, a reflexão sobre o Cristo de João é alta e ele vê assim, de cima para baixo, e enxerga a beleza do amor de Deus manifestado plenamente em Jesus Cristo, que refaz em si Adão pecador e desobediente a Deus e nós todos, iniciando a Nova Criação, não mais subordinada ao Mal mas livre para tomar decisão  contrária às forças do Mal.

               No Jardim da torrente de Cedron tem início a tragédia ou mais precisamente o Sofrimento de Jesus e o inicio de uma Vitória definitiva, ao mesmo tempo,  quando Judas vem até o Mestre acompanhado de seus inimigos  para prendê-lo.  Podemos dizer que o sonho do Novo Reino de Jesus começa ali a se desfazer, porém, nosso irmão João Evangelista não pensa assim, podem reparar na postura de Jesus…

            “Consciente de tudo o que iria acontecer, saiu ao encontro deles e diz conscientemente: A quem procurais?” Jesus poderia ter pedido ajuda aos discípulos, se esconder para dentro do vale do Cedron, fazer uma oração forte ao Pai para acabar com os seus perseguidores. Mas não! Livremente vai ao encontro do seu destino, ninguém o prende, Ele se entrega. “Recuaram e caíram por terra…” A liberdade, a decisão e a firmeza que eles veem em Jesus os surpreende fazendo-os cair por terra. É Jesus quem novamente toma a iniciativa, é ele quem está no controle “A quem procurais?”  e eles responderam “A Jesus de Nazaré !”

            Aqui se nota neste gesto como é grande o amor de Jesus pelos seus, não porque intercedeu por eles, para que os soldados o deixassem ir em paz, mas porque deu a cada um deles a liberdade de decidir, de que lado queriam ficar. Pedro queria ficar com Jesus, mas do seu modo, armado de uma espada e tentando resolver a situação pela violência. É o pensamento humano de monte gente violenta, que Pedro ali representa. Que solução a maioria das pessoas propõe, para resolver o problema da violência nas grandes metrópoles? Exatamente com mais violência, quando a sociedade depara nos noticiários sensacionalistas da TV muitos corpos de marginais mortos na invasão do morro, ou quando há algum massacre em um grande presídio, a população vibra e sente-se de certa forma “vingada”. Somos todos da mesma opinião de  Pedro, de que a violência combate a violência. Para nossa decepção Deus não pensa assim pois a atitude de Jesus mandando  Pedro guardar a espada, manifesta isso claramente.

           O episódio dramático e trágico tem o seu desfecho em um outro Jardim onde Jesus, pelo gesto piedoso de José de Arimatéia, irá ser sepultado. Agora a mãe terra receberá a semente definitiva do Novo Reino. Os que mataram Jesus pensavam que o estavam esmagando, e que tinham acabado com ele de vez,  nem imaginavam, que apenas colaboravam na semeadura de um Reino que iria superar todos os Reinos do Mundo.  José de Arimatéia e Nicodemos é o cristão paciente que ainda crê, apesar da grande decepção e sofrimento, que se abateu sobre eles, e porque creem se dispõe a “plantar a semente” esmagada, triturada, no seio da terra, alimentando no coração a esperança de que algo de novo vai acontecer, a História há de ter um final feliz.

            Que destino aguarda a humanidade? De sofrimento a sofrimento sucessivos, e por conta de uma violenta crise de valores e decadência moral, o homem de hoje se arrasta para o caos das trevas sem nenhuma luz.  Será que Deus abandonou a humanidade?  Uma grande maioria, inclusive de cristãos, perderam a esperança e fazem da religião do Cristianismo apenas um consolo para as dores e decepções desta vida, fechando-se em suas comunidades ou grupos, sentindo-se protegidos do terrível mal que aflige a humanidade.

           José de Arimateia pensa diferente, ele entra no Palácio de Pilatos porque tem algo a dizer. “Vai plantar a semente, o Jesus de Nazaré na profundeza da terra, Pilatos autoriza o sepultamento de Jesus, que mal pode fazer um cadáver? Tudo o que Jesus representava de ameaça e perigo, contra a Religião oficial e o Império Romano, agora não mais existia, sobrou de Jesus um corpo rígido, um cadáver cheio de marcas da violência, que era preciso mesmo enterrá-lo para tirá-lo dos pensamentos do coração dos que acreditavam em Jesus agora morto e enterrado!

            Hoje os poderosos que também manipulavam, enganavam, mentiam, massacravam e oprimiam, fizeram a sua opção por um Cristo preso e morto, e que não incomoda a ninguém, um Cristo impotente para influenciar o homem em suas decisões pelo Bem, uma lembrança de alguém que tornou-se célebre para toda humanidade, mas que já passou.

           A postura firme de Jesus diante dos seus argozes, a sua determinação em levar adiante a missão que o Pai lhe confiou, a sua firmeza diante dos poderosos desse mundo, e o seu despojamento para Servir a todos, resgatando todos os homens das garras do mal, deve servir nessa Sexta- feira santa como um grito de incentivo e alerta para nossas comunidades. Em meio a tanto desânimo e falta de esperança, entre tantos corações que perderam a capacidade de sonhar, precisamos nos faz arriscar como José de Arimatéia e transformar tantos enterros em semeaduras, confiantes de que a “Vida é mais forte que a morte”, e de que em cada tragédia a Vida se refaz e o Reino se torna mais forte e indestrutível; os homens não conseguirão impedir que o Sonho de Deus se torne realidade, esta é a grande lição dessa Sexta Feira Santa, para todos nós.

 

                                                                                    

 

                                                                               Pe  José D. de Macedo

 

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