Passagens: Urnas ditam jogo duro de prefeitos com setor.

É sempre a mesma história. Em ano eleitoral, prefeitos candidatos à reeleição ou com naturais pretensões de fazer sucessor pensam até dez vezes antes de autorizar um reajuste salgado no valor das tarifas de ônibus urbanos.

Está acontecendo esse fenômeno nas duas maiores cidades do Estado – João Pessoa e Campina Grande.

Na capital, o reajuste definido pela Comissão Tarifária de R$ 2,30 na passagem de ônibus não encontrou boa guarida no gabinete do prefeito Luciano Agra (PSB), candidato à reeleição. Hoje são completados quatro dias que os empresários do setor esperam que Agra sancione o novo valor, mas ele já deixou claro que só tomará uma decisão no início de janeiro.

Já se sabe com antecipação de uma decisão política: nem em sonhos, Luciano Agra, candidatíssimo à reeleição, vai aceitar o reajuste para R$ 2,30. Seria um ponto de desgaste num ano onde é importante não se criar arestas com a opinião pública.

A mesma opinião naturalmente tem o prefeito Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), de Campina Grande.

Na noite desta quinta-feira (29), ele anunciou que vai vetar o reajuste da tarifa de ônibus em Campina Grande para R$ 2,20. Segundo Veneziano, o veto se dará por um motivo muito simples: o índice de reajuste utilizado está acima do percentual de inflação acumulado nos últimos 12 meses.

Para o prefeito campinense, que está em vias de também anunciar o nome de seu candidato a prefeito em 2012, o reajuste não se justifica. De olho nas urnas, como principal eleitor do palanque oficial, o “cabeludo” também não quer saber de desgastes em relação ao assunto.

Empresários

Como sempre acontece também em ano eleitoral, os empresários do setor deixam para se queixar intramuros. Como assumem concessões públicas que a qualquer momento podem ser questionadas pelo poder público municipal, existe um consenso na categoria de que o recomendável é assimilar o golpe, compreendendo a circunstância político-eleitoral, e não criar maiores embaraços para o gestor interessado nas urnas.

Postado por Marcos Alfredo

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