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Os kakapos chegaram a ser os pássaros mais comuns da Nova Zelândia, até serem praticamente extintos; temporada reprodutiva prolífica dá fôlego a projeto de conservação.

Os kakapos são a espécie mais gorda de papagaios do mundo e chegaram a ser o pássaro mais comum de toda a Nova Zelândia, até se tornarem ameaçados de extinção por conta da caça, do desmatamento e de predadores. O resultado é que chegaram a restar, no país, apenas 147 kakapos adultos.

Agora, uma nova geração de pássaros anima os ambientalistas do país: os kakapos neozelandeses produziram 76 filhotes na última temporada reprodutiva, o maior número já registrado desde que a espécie ficou sob acompanhamento, informa o Departamento de Conservação (DOC) da Nova Zelândia. Espera-se que ao menos 60 dos bebezinhos cheguem à vida adulta.

A nova geração é duas vezes mais numerosa do que a da última temporada reprodutiva, em 2016.

O kakapo (Strigops habroptilus) – também conhecido como papagaio-mocho – só se reproduz uma vez a cada dois ou quatro anos, e em condições bem específicas: eles botam ovos quando há abundância de frutas de uma árvore conífera endêmica da Nova Zelândia chamada rimu(o alimento favorito desses pássaros), o que também só acontece a cada dois ou quatro anos.

Além disso, essa espécie tem enfrentado problemas de infertilidade e a proliferação de doenças. Ou seja, nem todos os ovos botados se convertem em filhotes vivos e saudáveis.

Isso torna o recorde reprodutivo deste ano ainda mais importante para a espécie. Segundo Andrew Digby, conselheiro do DOC, cientistas notaram um aumento na quantidade de frutas das árvores rimu nos últimos anos. Com tantas frutas à disposição, muitas fêmeas kakapo conseguiram botar mais ovos do que de costume.

Bebês kakapos são acompanhados por cientistas, para aumentar suas chances de sobrevivência — Foto: New Zealand Department of Conservation

Bebês kakapos são acompanhados por cientistas, para aumentar suas chances de sobrevivência — Foto: New Zealand Department of Conservation

Quase extintos

Os kakapos são pássaros noturnos, incapazes de voar. Segundo as autoridades neozelandesas, eram uma espécie abundante em todo o país antes da colonização humana.

“A população (de kakapos) caiu dramaticamente por conta da ação de caçadores, de predadores introduzidos (pela colonização europeia) e pela retirada da mata”, diz o DOC. “Os esforços de conservação começaram ainda em 1894, mas, em meados do século 20, os kakapos estavam à beira da extinção.”

Em 1977, documentava-se a existência de apenas 18 espécimes desse papagaio.

Até que um grupo de kakapos foi descoberto na Ilha Stewart, no extremo sul da Nova Zelândia. Começou então um esforço dos cientistas para aumentar a população dos pássaros, em ilhas onde eles não sofressem ameaça de predadores externos.

O projeto hoje prevê que kakapos recém-nascidos sejam criados em laboratório, até serem novamente liberados na vida selvagem, acoplados a um transmissor.

Cada papagaio tem seu ninho monitorado por sensores e câmeras; e as aves ganharam comedouros com suplementos nutricionais que aumentam suas chances de crescerem saudáveis.

“Esses pássaros não têm muita privacidade”, brinca Digby. “Consigo ver pela internet o que eles estão fazendo, se estão acasalando, por quanto tempo e qual a qualidade do acasalamento. Essa é provavelmente uma das espécies mais gerenciadas do mundo, certamente a mais gerenciada da Nova Zelândia.”

Objetivo é que população de kakapos chegue a 500 espécimes; hoje existem apenas 147 aves adultas — Foto: New Zealand Department of Conservation

Objetivo é que população de kakapos chegue a 500 espécimes; hoje existem apenas 147 aves adultas — Foto: New Zealand Department of Conservation

Para aumentar a conscientização do público a respeito dos kakapos, o DOC promoveu no início deste mês uma sessão online de observação dos bebês pássaros.

Digby conta que a expectativa é de alcançar uma população de 500 kakapos, algo que exigirá um esforço constante.

“O objetivo de nosso programa é que cada criança (do país) cresça sabendo o que é um kakapo, assim como sabem o que é um elefante e um leão.”

G1

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