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Não fosse um bilhete recebido dentro do ônibus, Beatriz Soares poderia ter sido assaltada pela quinta vez

Recife é a quarta cidade mais violenta do país – e Beatriz Soares, de 23 anos, já sabe bem disso. Moradora do bairro Vasco da Gama, zona norte do Recife, ela escapou de ser assaltada pela quinta vez em um ônibus por um gesto atencioso de outro passageiro.

”Meses atrás, o governador deu uma entrevista dizendo que Pernambuco era um lugar seguro”, diz a graduanda em serviço social, e contesta: “Mas os moradores não estão mentindo. É comum que as pessoas sejam assaltadas na Avenida Conde da Boa Vista ou nos ônibus”.

A jovem conta ao #VirouViral que tomou o ônibus a caminho do estágio às 10 horas da última quinta-feira 14, e sentou-se na penúltima fileira do veículo. ”Atrás de mim tinha um rapaz de farda azul, uma mulher e um outro rapaz que aparentava ser marginalizado.”

Beatriz relembra que, em determinado momento, o rapaz de azul foi para perto da porta e disse que deixaria para descer somente na próxima parada. ”Ele estava com fone no ouvido, então imaginei que estivesse falando no telefone e não dei muita atenção”, conta.

Segundo a jovem, o comportamento do rapaz fardado a incomodava, já que, após caminhar em direção à porta, passou a encará-la insistentemente. ”Quando me perguntou se eu tinha uma caneta, pensei que ele iria se engraçar, porque aqui os casos de assédio e violência contra a mulher nos ônibus têm crescido muito”, lamenta.

Beatriz conta que o homem lhe entregou o bilhete, a caneta e, na sequência, desceu. ”Depois disso, o outro passageiro ficou me olhando”, diz ao #VirouViral. Por todos esses fatores, a estudante relutou em abrir o bilhete. Tomada pela curiosidade, decidiu ler. E foi surpreendida.

A jovem, então, mostrou o papel para a moça que estava sentada atrás dela. Na sequência, as duas foram para os bancos da frente, próximos ao cobrador. ”Desci na minha parada, no centro do Recife, e o suspeito não estava mais no ônibus”, diz.

Um longo histórico de assaltos 

Beatriz já foi assaltada quatro vezes, sendo três delas dentro de ônibus. ”Esse tipo de coisa virou recorrente. Às vezes o assaltante nem está armado, apenas dá o bote, toma nossos pertences e some”, critica. Ela conta que o suspeito não aparentava ter uma arma, mas que o observou olhando para seu relógio e celular. Por causa disso, a jovem torce para que a repercussão do caso provoque novas medidas de segurança das autoridades. 

Em seu perfil no Facebook, Beatriz escreveu que o autor do bilhete é quem deveria ser exaltado. ”Nessa história, não sou eu quem mereço a credibilidade, é o homem quem me avisou do assalto”, diz o post. Além disso, externou o desejo de reencontrá-lo, para agradecer. ”Quero encontrá-lo novamente e até me desculpar por no começo ter desdenhado da mensagem achando que era mais um caso de assédio. São pessoas como essas que fazem a diferença no mundo. Que ele continue sendo esse ser de luz!”, finaliza a publicação. 

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