PB ganha Sala de Situação para prevê cheias e secas, com antecedência.

A partir do próximo mês, a Paraíba contará com uma Sala de Situação que irá monitorar o comportamento dos rios e do volume de chuva, com objetivo de antecipar possíveis secas e cheias. As chuvas intensas podem ser previstas em até quatro horas de antecedência. A sala funcionará na sede da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), em Campina Grande, e durante o próximo mês funcionará em caráter experimental. O coordenador do projeto na Paraíba, Lucílio Vieira, informou que a inauguração oficial será no dia 1º de maio.

A sala de situação, que é uma espécie de centro de gestão de situação crítica, é um projeto da Agência Nacional de Águas (ANA), que tem por finalidade acompanhar o nível dos rios e o volume pluviométrico para, assim, avisar com antecedência os gestores municipais e a Defesa Civil sobre eventos hidrológicos críticos, como chuvas intensas e cheias dos rios, assim como secas.

Para equipar a sala, a agência enviou à Paraíba equipamentos operacionais como servidores de alto desempenho, computadores de mesa e portátil, televisores de LCD, projetores e tela de projeção, telefones celulares e equipamentos de impressão em grandes e pequenos formatos.

Lucílio explicou que o monitoramento será constante e a sala funcionará durante 24 horas, com a presença constante de meteorologistas, engenheiros e um representante da Defesa Civil, que fará o contato com os gestores em caso de situação crítica. Ele ainda informou que a principal inovação será a possibilidade de monitoramento em tempo real, ou seja, os meteorologistas poderão pegar os dados à medida que forem captados pelos sensores, por meio de um programa de computador.

“Anteriormente, a Aesa só poderia determinar o volume de chuva num período de 24 horas, agora podemos trabalhar com dados das chuvas instantâneas, ou seja, determinar quanto choveu em meia hora, uma hora, por exemplo”, informou. Com o monitoramento em tempo real, os meteorologistas poderão avisar, com até 4 horas de antecedência, a chegada de uma chuva intensa, que podem aumentar os níveis dos rios.

“À medida que começar a chover, os equipamentos vão informar o nível que o rio está subindo, possibilitando avisar os gestores dos perigos de uma cheia. Na sala, os sensores irão avisar quando chegam a níveis críticos, alertando na tela”, explanou.

Na Paraíba, serão instaladas quatro novas estações telemétricas: duas no rio Paraíba, uma no rio Piranhas-Açu e outra no rio do Peixe. “Estas quatro serão somadas as 14 que a Aesa já possui e monitora açudes paraibanos, como em Coremas/Mãe D’água, Acauã e em São Gonçalo”, informou Lucílio. As estações informarão automaticamente dados hidrológicos e meteorológicos, em média a cada 1 hora, via satélite ou via sinal de celular.

A rede.

A Rede Hidrometeorológica Nacional da Agência possui 4.523 estações de monitoramento, de diferentes tipos, em todo o País. Por meio de sua Sala de Situação, em Brasília, a ANA acompanha as tendências hidrológicas dos principais rios e reservatórios nacionais e desenvolve ações de prevenção que permitem identificar possíveis eventos críticos e adotar antecipadamente medidas para mitigar seus impactos.

Chuvas.

A meteorologista da Aesa, Marle Bandeira, disse que as chuvas na Paraíba no primeiro trimestre estão dentro da normalidade: no Sertão, Curimataú e Cariri as chuvas são irregulares, ou seja, chove numa área e noutra não. Já no Litoral, Brejo e Agreste, o período chuvoso inicia no próximo mês. Ela adiantou que será feito um prognóstico para o próximo trimestre, em Recife, ainda este mês.

Entretanto, Marle informou que a Aesa não descarta a possibilidade de chuvas intensas no leste do Estado. “A Aesa não descarta a possibilidade de chover todo o esperado do mês em apenas um dia na faixa litorânea, que é característica desta área”, disse.

O chefe da seção de Previsão do Tempo do Inmet, Ednaldo Correia de Araújo, informou que as chuvas intensas que atingiram o Litoral paraibano foram causadas por um sistema de nebulosidade vindo do mar. “A zona de convergência intertropical favorece as chuvas na região do Nordeste. No fim de semana passado, o Inmet emitiu um aviso meteorológico à defesa civil de João Pessoa informando da chuva intensa. Apesar da intensidade, as chuvas estão abaixo da média para março na capital paraibana”, informou.

Plano Diretor da Defesa Civil.

Na manhã de ontem, no auditório da Companhia de Desenvolvimento do Estado (Cinep), foi apresentado o Plano Diretor para enfrentamento de situações de crise, como enchentes e desmoronamentos. Segundo o secretário de Estado da Infraestrutura (Seinfra), Efraim Moraes, os danos causados pelas chuvas no ano passado renderam um prejuízo de mais de R$ 20 milhões.

Efraim informou que o governo estadual solicitou R$ 27 milhões ao governo federal para reconstruir pontes, casas e estradas que foram destruídas no ano passado. Ele disse que o recurso ainda não foi repassado, mas que as obras já estão em andamento. “Estamos nos preocupando exatamente com a prevenção, o pronto-socorro para a população. Por isso buscamos esta parceria com a Defesa Civil Nacional, estadual e municipais”, disse.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Walber Rufino, explicou que o plano, desenvolvido com base nos estudos e análise dos desastres ocorridos nos últimos 18 anos na Paraíba, aponta um caminho para organizar as ações de cada órgão do Sistema Estadual de Defesa Civil, para evitar conflitos. “O que a gente fez foi organizar e dizer: num momento de crise, quem faz o quê, para não ficar conflitando o que cada órgão deve fazer”, informou.

Coronel Rufino também ressaltou a importância da integração das ações entre órgãos estaduais e municipais, com o intuito de minimizar os danos causados pelas chuvas e pela seca. Além dos gestores, Rufino acredita que as comunidades devem estar cientes dos perigos e terem a “própria percepção de risco”.

Para o superintendente da Agência Brasileira de Inteligência na Paraíba, Silvio Pires, o plano é importante para mobilizar os segmentos e para que haja um referencial a ser seguido. “Isto é importante para otimizarem as ações e não fazer um trabalho na base do improviso”, disse. Amanda Carvalho. Blog Marconi.

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