Agradecimento Especial à Senadora Daniela Ribeiro: Novo Convênio de R$ 767.341,00 para Pavimentação em Ananias II, Ingá, por meio da Caixa Econômica Federal.
Riachão fecha 2023 com Taxa de Atualização Cadastral de 95%, acima da média nacional
Riachão do Bacamarte – PB Celebra Conquista da Gestão Ari
Lojas do supermercado ‘Todo Dia’ devem encerrar operações na Paraíba e outros estados do país até o fim de janeiro
As lojas da rede de supermercados ‘Todo Dia’, pertencente ao grupo Carrefour, deverão ser fechadas até o fim deste mês. A informação foi obtida pela reportagem em contato com colaboradores da empresa. Segundo apurou o ClickPB, apenas na Paraíba o fechamento deve atingir ao menos quatro lojas espalhadas em três municípios do estado (João Pessoa, Cabedelo e Mamanguape).
Até o momento não há informações se as lojas vão ser substituídas por alguma outra rede de supermercados da marca.
A bandeira ‘Todo Dia’ foi criada em 2004, após a compra do antigo ‘Bompreço’ pelo Walmart. No fim daquela década, o Todo Dia passou por um processo de expansão e a rede chegou a ter unidades em quase todos os estados do Nordeste além de cidades do Sul do país. Em meio a crise financeira de 2015, algumas lojas foram fechadas, inclusive na Paraíba.
Em 2019, a rede passou a integrar o Grupo Big, com a compra dos hipermercados que foram adquiridos pelo Walmart. Em 2021, o Todo Dia, Supermercados Bompreço e Hipermercados Bompreço, além do Sam’s Club, passam a integrar o grupo Carrefour Brasil, após uma transação em torno dos R$ 7 bilhões.
O ClickPB entrou em contato com o Carrefour, porém até o fechamento da matéria não obteve mais detalhes sobre o caso.
| Confira o anúncio compartilhado em grupos de colaboradores da empresa:

ClickPB
Pomadas trazem riscos aos cabelos, pele e olhos e diretor-geral da Agevisa alerta sobre fiscalizações na Paraíba: “importante conscientizar”
O diretor-geral da Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba, Geraldo Moreira de Menezes, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, nesta quinta-feira (4), destacou o trabalho de conscientização que a instituição segue fazendo para que a modelação de cabelos priorize produtos livres de risco para a saúde.
Como acompanhou o ClickPB, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cancelou mais de 1,2 mil pomadas para modelar ou fixar cabelos.
“Não fazer modelação em cabelo com pomadas que não estejam autorizadas pela Anvisa”, alerta o gestor. A medida faz parte de uma série de ações adotadas pela agência desde o início do ano após a denúncia de casos de cegueira e irritação nos olhos com o uso do produto.
O caso não é de hoje e se repete com a chegada das férias e festas na temporada do verão, cenário que trouxe a retomada do aumento do número de casos de queimadura nos olhos por uso de pomadas. O Portal ClickPB chegou a entrevistar a médica oftalmologista Vanessa Campos sobre os riscos desse procedimento nos cabelos. Confira a seguir:
Alguns desses produtos chega a queimar os olhos e trazer alergias diversas para a pele e o couro cabeludo. Os efeitos negativos são sentidos tanto pelo profissional que aplica o produto quanto pelo cliente. Os relatos são de coceira e vermelhidão nos olhos, irritação na pele, inflamação no folículo capilar e até cegueira provisória. Há casos em que o uso reiterado da pomada pode levar ao entupimento do folículo e à queda do cabelo.
ClickPB
Bruno Cunha Lima faz cortes de R$ 10,2 milhões no orçamento para atender emendas de vereadores
O prefeito Bruno Cunha Lima fez a apresentação, nesta quinta-feira (04), do Projeto da Lei Orçamentária Anual de 2024 com ajustes à Câmara Municipal. A nova peça foi adaptada pelo Executivo para o novo elemento de despesas relativas às emendas impositivas e também absorve a nova Verba indenizatória de Atividade Parlamentar (VIAP), para uso dos gabinetes dos vereadores. Para isso, no total, o Executivo fez cortes no próprio orçamento no valor total de R$ 10,2 milhões.
O ato de entrega da nova peça orçamentária ocorreu no Salão Nobre do Gabinete do Prefeito. Bruno Cunha Lima apresentou o documento oficialmente ao presidente da Câmara, Marinaldo Cardoso e a outros 16 vereadores que se fizeram presentes.
Em termos práticos, a nova proposta da LOA viabiliza, com cortes no limite da responsabilidade de gestão, aumento para o orçamento da Câmara: de R$ 32,4 milhões sobe para R$ 36,5 milhões este ano, dentro do limite constitucional. Quanta às emendas impositivas, ficou definido em 0,5% da Receita Líquida Corrente, resultando em R$ 6,1 milhões.
Um detalhe evidenciado no projeto, com base na lei, é que se desmistifica uma lógica equivocada de que o percentual para emendas impositivas levaria em conta o valor global do Orçamento – que é da ordem de R$ 2 bilhões. “Na verdade, a referência deve ser a Receita Corrente Líquida (RCL) do ano anterior à elaboração da peça orçamentária original – ou seja, 2022”, explica o prefeito Bruno.
Pela proposta original aprovada pela Câmara, o valor total destinado às emendas impositivas, seguindo os cálculos com base em premissas erradas de uma projeção de receitas para 2024, ultrapassaria R$ 20 milhões, retirando recursos definidos para os serviços e áreas essenciais, como limpeza urbana, projetos culturais, sistemas estratégicos para funcionamento da gestão e saúde, como o 1doc e o de pagamento da folha de pessoal, da Administração. As secretarias de Obras e Finanças, além de recursos arrecadados pelo Procon, concentraram as anulações propostas.
Bruno Cunha Lima, que conduziu pessoalmente o trabalho da equipe técnica da Prefeitura na elaboração da nova LOA 2O24, destaca que a proposta gera um fundo específico para as emendas impositivas, que precisarão também seguir um regramento básico e um plano de aplicação progressiva de 2024 até 2027, como é padrão em todas as casas legislativas que passaram a adotar o modelo.
Participaram da reunião, além do presidente, os vereadores Luciano Breno, Alexandre do Sindicato, Aldo Cabral, Saulo Noronha, Saulo Germano, Jandui Carneiro, Ilmar Falcão, Fabiana Gomes, Pimentel Filho, Olímpio Oliveira, Rostand Paraíba, Dona Fátima, Doutora Carla, Napoleão Maracajá, Bruno Faustino, Anderson Almeida, Renan Maracajá, Eva Gouveia e Márcio Melo.
ClickPB
Seis meses sem Sophia: mãe da menina pede justiça e guarda esperança de encontrar a filha viva
O tempo está passando de uma forma diferente para a família de Ana Sophia Gomes dos Santos. A menina de 8 anos de idade desapareceu no distrito de Roma, em Bananeiras, Brejo paraibano, há exatamente seis meses e até agora não há nenhum vestígio de onde ela possa estar. A polícia já dá a criança como morta, mas a mãe ainda guarda esperança de encontrá-la com vida.
O ClickPB conversou, nesta quinta-feira (04), com Maria do Socorro Gomes, mãe de Sophia. Ao falar da filha, a emoção a domina e ela não contém o choro. Maria pede justiça para o caso e quer que a polícia apresente indícios que comprovem a morte da filha. Enquanto isso não acontece, dona Maria mantém a fé de um dia ter a menina em seus braços novamente.
“Ninguém sabe de nada. As autoridades falam que ela foi morta naquela casa, mas não acharam nada até agora, nenhum fio de cabelo dela, não acharam nenhum corpo. Enquanto isso, eu sinto uma luz lá no fundo que ele tenha vendido ela para algum turista e que ela esteja viva”, desabafa.
Maria do Socorro disse ao ClickPB que só conhecerá a justiça para esse caso, quando finalmente a filha dela for encontrada, viva ou morta. “É Deus quem está me sustentando. Eu quero justiça e sei que que a justiça da Terra falha, mas a de Deus nunca falha. Só peço justiça pela minha filha, porque ela era uma criança pura e sonhadora”, finalizou a mãe da menina.
Relembre o caso
Como vem noticiando o ClickPB, Sophia saiu de casa na tarde de 4 de julho para brincar com uma amiga, que morava próximo, no distrito de Roma, em Bananeiras. Imagens de câmeras de segurança de comércios locais registraram o momento em que ela chega a casa da coleguinha, mas não fica por muito tempo, porque a família da menina iria sair de casa.
Sophia faz o percurso de volta e, no caminho, para em uma casa, a de Tiago Fontes. Lá ela entra, mas não é vista saindo. A polícia então faz uma série de perícias e exames e descobre que Tiago teria matado a menina e começa a buscá-lo. Ele desaparece e depois é encontrado morto em um matagal que fica na mesma região em que a menina sumiu.
Novas buscas foram iniciadas na região na expectativa de que ele pudesse ter enterrado o corpo da criança nas proximidades. No entanto, nenhuma novidade surgiu ainda.
- Como antecipado pelo ClickPB, polícia confirma que corpo encontrado em Bananeiras é de suspeito de matar Sophia
- Exame papiloscópico confirma que corpo encontrado em Bananeiras é de Tiago Fontes, diz polícia
- Corpo de Bombeiros deve fazer novas buscas ainda hoje para tentar encontrar corpo de Ana Sophia
Informações
Quem tiver alguma informação sobre Ana Sophia Gomes dos Santos, deve ligar para o Disque Denúncia da Polícia Civil pelo número 197, ou para o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca), no número 99110-6577.
Leia mais sobre o caso de Ana Sophia:
- Condomínio de luxo Águas da Serra afasta porteiro citado nas investigações do sumiço de Sophia, em Bananeiras
- Polícia pede prisão de homem suspeito de envolvimento no sumiço de Ana Sophia, em Bananeiras
- Justiça decreta prisão de marido de professora de Ana Sophia; ambos estão desaparecidos
- Acusado do desaparecimento de Ana Sophia tentou se desfazer de provas do crime: “apagou imagens de câmera e formatou celular” revela delegado
ClickPB
Governo eleva para R$ 120 mil valor da compra de veículo destinado à PCD
O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-PB), elevou o limite do valor de compra do veículo para Pessoa com Deficiência (PcD) até R$ 120 mil desde o dia 1º janeiro de 2024, quando entrou em vigor o decreto regulamentando a medida do convênio no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), alterando o limite de compra de veículo de R$ 100 mil para R$ 120 mil.
Tiquinho Soares curte férias em João Pessoa e marca presença em treino do CSP
De férias em João Pessoa, Tiquinho marcou presença no treinamento do clube que o formou. O paraibano tem uma relação antiga com Josivaldo Alves, treinador e dirigente da equipe do CSP.
Além disso, o ataque do Botafogo sempre costuma dar uma força para a equipe que tem como principal objetivo revelar jovens talentos para o futebol.
F5online com GE
Casos de dengue estão em alta no Brasil. O que esperar das vacinas?
Os meses mais quentes e chuvosos do ano são aqueles em que as cidades brasileiras, de qualquer porte, enfrentam o aumento da infestação do mosquito Aedes Aegypti. A fêmea contaminada é o principal vetor dessa doença infectocontagiosa que já faz parte da nossa rotina. Especialmente no verão, quando ela é capaz de se manifestar tanto de forma simples e branda quanto na sua condição mais grave, algumas vezes até mortal.
Até novembro de 2023, evidenciou-se um aumento de 15,8% nos casos de dengue no Brasil, totalizando 1.601.848 episódios registrados. Em 2022, o mesmo período registrou 1.382.665 casos.
Em relação aos óbitos, houve um aumento de 5,4% em 2023 (1.053) em comparação com 2022 (999). Porém, nota-se uma redução de 13% na taxa de letalidade dos casos, diminuindo de 0,072% em 2022 para 0,065% em 2023.
Importante registrar que os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niñocontribuiram para o aumento de casos de dengue nesta temporada. Já o aparecimento dos sorotipos 3 e 4, que começam a circular, não impacta o número atual de casos, mas será problema para o próximo ano.
Como a imunidade aos sorotipos 1 e 2 já é bastante disseminada no país, existe a possibilidade de que venham a ocorrer casos mais graves em pessoas que têm dengue e são reinfectadas por um sorotipo 3 ou 4, se isso ocorrer no período de seis meses a três anos após a primeira contaminação.
Isso acontece porque a imunidade provocada pelos sorotipos prevalentes no país ainda estará ativa se a pessoa for infectada por um novo sorotipo do vírus entre seis meses e três anos após ter a doença, o que eleva o risco de reações mais intensas do organismo. Um aumento que poderá ser ainda mais notado em crianças e idosos com comorbidades.
Apesar dos números, pouca mobilização e foco nas vacinas
Assim como espera a subida dos casos de dengue nos meses de verão, o brasileiro também aguarda sempre por soluções que diminuam a ameaça anual. Uma certa simplificação que não condiz com o risco real em larga escala provocado pela doença, cujos sintomas podem variar de febre e dor de cabeça à hemorragia, colapso circulatório e até a morte.
No meio científico muito se tem falado da esperança depositada nas vacinas recentemente desenvolvidas contra a dengue, dentro e fora do Brasil.
Hoje, temos aqui a Butantan-DV – desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica americana Merck Sharp & Dohme (MSD) – e a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda.
A Qdenga já é administrada no Brasil em clínicas privadas, por valores que variam entre R$ 300 e R$ 500. Sua incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi anunciada no dia 21 de dezembro deste ano. A vacinação gratuita com a Qdenga deve começar em fevereiro de 2024. Até lá, o Ministério da Saúde fará a definição do público-alvo que receberá o imunizante primeiro.
A vacina desenvolvida pelo Butantan só deverá estar disponível em meados de 2025. Em testes clínicos de fase 3, o imunizante mostrou uma eficácia de 79,6% para evitar a doença.
Os dados são de um acompanhamento de dois anos com mais de 16 mil indivíduos de todo o Brasil. Porém, como não houve circulação dos sorotipos 3 e 4 no período do estudo clínico, não se conhece a sua eficácia contra ambos.
A principal diferença entre a Qdenga e a vacina do Butantan é que o imunizante japonês precisa ser administrado em duas doses com intervalo de três meses. Aparentemente, nas duas doses, a Qdenga oferece proteção igual à que o Butantan está desenvolvendo.

A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Com maior incidência no verão, tem como principais sintomas: dores no corpo e febre alta. Considerada um grave problema de saúde pública no Brasil, a doença pode levar o paciente a morte

O Aedes aegypti apresenta hábitos diurnos, pode ser encontrado em áreas urbanas e necessita de água parada para permitir que as larvas se desenvolvam e se tornem adultas, após a eclosão dos ovos, dentro de 10 dias

A infecção dos humanos acontece apenas com a picada do mosquito fêmea. O Aedes aegypti transmite o vírus pela saliva ao se alimentar do sangue, necessário para que os ovos sejam produzidos

No geral, a dengue apresenta quatro sorotipos. Isso significa que uma única pessoa pode ser infectada por cada um desses micro-organismos e gerar imunidade permanente para cada um deles. Ou seja, é possível ser infectado até quatro vezes

Os primeiros sinais, geralmente, não são específicos. Eles surgem cerca de três dias após a picada do mosquito e podem incluir: febre alta, que geralmente dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, náuseas e vômitos

No período de diminuição ou desaparecimento da febre, a maioria dos casos evolui para a recuperação e cura da doença. No entanto, alguns pacientes podem apresentar sintomas mais graves, que incluem hemorragia e podem levar à morte

Nos quadros graves, os sintomas são: vômitos persistentes, dor abdominal intensa e contínua, ou dor quando o abdômen é tocado, perda de sensibilidade e movimentos, urina com sangue, sangramento de mucosas, tontura e queda de pressão, aumento do fígado e dos glóbulos vermelhos ou hemácias no sangue

Nestes casos, os sintomas resultam em choque, que acontece quando um volume crítico de plasma sanguíneo é perdido. Os sinais desse estado são pele pegajosa, pulso rápido e fraco, agitação e diminuição da pressão

Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade. O choque tem duração curta, e pode levar ao óbito entre 12 e 24 horas, ou à recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada

Apesar da gravidade, a dengue pode ser tratada com analgésicos e antitérmicos, sob orientação médica, tais como paracetamol ou dipirona para aliviar os sintomas

Para completar o tratamento, é recomendado repouso e ingestão de líquidos. Já no caso de dengue hemorrágica, a terapia deve ser feita no hospital, com o uso de medicamentos e, se necessário, transfusão de plaquetas
As dificuldades da vacina
Algumas ponderações precisam ser feitas sobre as estratégias de uso de uma vacina contra a dengue. Primeiramente, é muito difícil usar um imunizante em mais de uma dose para a população adulta. Vimos essa realidade com a vacinação contra a Covid-19. Além disso, o impacto dessas vacinas nas pessoas de diferentes faixas etárias que já tiveram dengue é uma questão que ainda precisa ser mais bem compreendida e abordada.
Naqueles que já foram infectados por ao menos um dos quatro subtipos do vírus da dengue, a vacina estimula mais a imunidade. Da mesma forma, protege menos quem nunca teve dengue. Esse fato confere ênfase ainda maior ao modo como esse imunizante será administrado à população.
Face à situação tão diversa que enfrentamos no país em termos de imunidade à dengue, se a vacina protege mais quando a pessoa teve dengue, a sua melhor indicação seria em locais com endemicidade muito grande, ou seja, onde as pessoas tiveram mais dengue.
Considerando tudo isso, se o país fosse investir em uma vacina contra a dengue, deveria começar usando uma vacina de dose única na região Nordeste e no Rio de Janeiro, locais onde a tendência é que ocorram novamente muitos casos.
Em 2018, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a inclusão, na bula da primeira vacina lançada contra a dengue no Brasil – a Dengvaxia, produzida pela Sanofi-Pasteur e registrada aqui em 2015 – a contraindicação para pessoas que nunca tiveram a doença.
A decisão foi baseada em dados sobre o uso da vacina colhidos ao longo de cinco anos pelo próprio fabricante. Aplicada em cerca de 30 municípios do Paraná, a Dengvaxia deu problemas para uma população de crianças mais jovens e acabou sendo abandonada.
Na prática, algumas crianças apresentaram um quadro grave da doença após tomarem a vacina e serem posteriormente infectadas pela primeira vez.
A rigor, a conduta mais adequada seria testar a população por amostragem para conhecer a soroprevalência para a dengue. Claro que um estudo por amostragem não é tão esclarecedor como o acompanhamento de uma população inteira vacinada, mas considerando os dados de estudos que mostram que uma segunda infecção num período de 6 meses a 3 anos pode facilitar os casos de dengue grave, a lógica é que as vacinas de dengue deveriam ser utilizadas por pessoas que já tiveram dengue e têm algum tipo de imunidade à doença.
Nesses casos, a proteção é melhor e não tem evolução para gravidade. Além disso, se a vacina usada for em duas doses, ela deveria ser administrada rapidamente para evitar esse efeito.
O que fazem os países ricos que ainda não se livraram da dengue?
Pessoalmente, eu tenho insistido que uma das formas mais eficazes de proteção contra a dengue é prevenir a picada do mosquito. Ao contrário da maior parte das doenças que nós conhecemos, como febre amarela, malária e outras transmitida por vetores rurais, a dengue é uma doença urbana. O Aedes aegypti vem às nossas casas, onde estão 80% dos focos.
Nos últimos anos, os órgãos de saúde pública não estão conseguindo que as pessoas tomem as medidas necessárias nas suas moradias para impedir a formação dos criadouros de mosquito – os pequenos reservatórios de águas paradas onde as larvas se multiplicam e ganham asas.
Também é uma realidade que, apesar do pouco sucesso obtido para mudar hábitos de populações inteiras, as campanhas educativas precisam continuar mostrando o que deve ser feito em casa, que não se deve deixar água parada em reservatórios, que é preciso ver se há uma calha entupida, se a tampa da caixa de água está no lugar certo, se não restou uma garrafa PET no quintal com água.
Entre outros motivos, esses alertas devem ser repetidos sempre simplesmente porque as pessoas esquecem.
Além da colaboração do cidadão, o serviço público precisa cumprir a parte dele na luta contra o mosquito, fazendo a limpeza de baldios, prédios públicos e praças. Mas isso não também é uma medida que vá vencer isoladamente o mosquito da dengue.
Países desenvolvidos da Ásia, como Coreia, Japão e Singapura, que igualmente não conseguem eliminar o Aedes, têm indicado que o caminho é investir cada vez mais na capacitação do corpo de profissionais da saúde pública para tratar os pacientes de dengue.
Aqui no Brasil, especificamente no estado de São Paulo, alguns dos problemas que enfrentamos são a falta de registros atualizados dos casos e a alta rotatividade dos profissionais de saúde, que constantemente partem para atuar em outras regiões, perdendo-se o legado de suas experiências para os médicos e enfermeiros que os substituem.
Cito como exemplo o caso de um paciente que recentemente faleceu depois de comparecer quatro vezes ao serviço de saúde, com claros sintoma, sem que o diagnóstico de dengue fosse adicionado aos seus registros hospitalares e sem que os médicos que o atenderam vissem nos mesmos registros que o doente já tivera a doença, o que aumentava os riscos de agravamento do quadro.
Nossa preocupação é, sempre, manter os profissionais da saúde capacitados e atualizados em relação aos protocolos de diagnóstico e tratamento da dengue.
É fundamental saber, por exemplo, que muitas vezes simplesmente hidratar o paciente pode evitar que a dengue se agrave.
*O artigo foi escrito pelo professor Marcos Boulos, do Departamento de Moléstias Infeciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e publicado na plataforma The Conversation Brasil.
Metrópoles









